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Como o 'Universo Expandido' pode afetar os Super-Heróis?

Write on: Quarta, 01 Julho 2015 04:48

Virou moda hoje expandir e compartilhar universos, criando a necessidade de se amarrar todas as coisas. Naturalmente, o modelo de filmes da Marvel Studios é a principal representação disso com os longas-metragens totalmente interligados no mesmo universo e amarrados com as séries de TV que estão saindo (Agents of SHIELD, Agent Carter, as séries da Netflix, enfim...). Porém não é só a Marvel que tem essa mania de criar universos coesos, seja no cinema, na literatura, na TV ou nos games, apesar de ser o gênero de super-heróis o gigante que carrega essa tendência.  Mas até que ponto isso é saudável para uma franquia e seus idealizadores?

Tomando como exemplo a própria Marvel e DC Comics junto com todos os seus materiais, vamos analisar alguns pontos.

Há um tempo a DC Comics deu um reboot em seus quadrinhos através dos Novos 52!, amarrando todas as revistas em uma única realidade a ponto de ser meio que obrigatório ler uma série para entender outra. Acontece que os autores estavam se sentindo limitados em suas liberdades criativas ao elaborar uma história. Imagina ter que se prender a todo um contexto para criar algo dentro daquilo, naquele estilo e não poder ousar na narrativa para não mexer na consistência daquele universo coeso? É complicado! Agora pense nos leitores e toda a trabalheira que se tem em ler todas as séries para ficar em dia com o enredo? Mais complicado ainda. 

Recentemente a DC Comics, através da saga Convergência, trouxe de volta um universo mais solto, com séries de quadrinhos que não precisam necessariamente se prender aquela linha narrativa principal. Isso concede mais liberdade aos escritores de criarem historias sensacionais. Quem sabe não teremos em breve obras primas como as aclamadas Batman – O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller e Reino do Amanhã de Alex Ross e Mark Waid?

Sobre os filmes e séries de TV da Marvel e DC

Muitos espectadores reclamam BASTANTE da falta de coesão do Universo DC, almejando que as séries sejam interligadas com os filmes, seguindo o modelo do Universo Cinematográfico da Marvel, que funciona muito bem. Sobre esta questão, o CEO da Warner Bros., Kevin Tsujihara, disse:

“O importante é que os filmes, as séries, os jogos, são todos diferentes. Então você tem que ser capaz de tirar proveito dessa grande diversidade de conteúdo e personagens.”

A DC não precisa copiar a formula de sucesso da Marvel. Durante anos a editora soube lidar com múltiplas terras. Por que não trazer essa essência ao Universo Live Action que estão construindo na TV e nos cinemas? A proposta que a DC tem para as telonas é grandiosa demais para ser compartilhada com séries de TV, essa é a grande verdade. 

Não estou subestimando o poder dos seriados. Arrow e The Flash são exemplos perfeitos de como fazer um programa sobre super-heróis sem perder a grandiosidade e manter a essência das HQs. Mas as séries de TV tem seu estilo; sua forma de contar uma historia é mais novelesco e o tempo de duração permite que este tipo de mídia explore detalhes que um filme jamais contará. A ideia da Warner para a DC é que o cinema conte as grandes historias da editora e mostre as mais incríveis batalhas. Vou exemplificar o que estou dizendo através da fala do cineasta Joseph Gordon-Levitt sobre a adaptação de Sandman para os cinemas:

"Acho que uma adaptação ao cinema é uma ideia melhor, pois, se você faz uma versão episódica, eu acho que poderia não se tornar uma versão muito boa sobre algo que já é brilhante nos quadrinhos. Mas transformar este trabalho em um filme, as ideias e personagens fantásticos de Neil Gaiman ganham forma de um modo nunca visto antes. Acho também que Sandman merece um visual de tirar o fôlego e, mesmo que algumas séries se pareçam muito com filmes atualmente, elas ainda não conseguem competir visualmente com filmes, apenas porque não é possível pagar tanto.”

Precisamos aprender a lidar com as múltiplas terras da DC como nos quadrinhos. Precisamos olhar para filmes como Batman – O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan como minisséries ou “graphic novels” com atores. Se colocarmos isso na cabeça, entenderemos melhor tudo isso. O mesmo digo de séries não interligadas com nada como Gotham e a recém-falida Constantine ou até mesmo Smallville, que ainda continua através das HQs. 

O cinema pode seguir seu caminho sem se intrometer no brilhante trabalho realizado na TV com Arrow e The Flash e aceitarmos numa boa dois ou três Batman’s, Superman’s e Flash’s. Enquanto isso as séries continuam com suas propostas desenvolvendo os personagens menos conhecidos do grande publico. 

Uma besteira os idealizadores de Arrow terem deixado de lado personagens como o Pistoleiro e a Arlequina devido ao fato deles serem apresentados no filme do Esquadrão Suicida. Uma coisa é certa: mesmo colocados de escanteio, eles existem no universo da TV, assim como os já referenciados Batman e Lanterna Verde. É tudo uma questão de se adaptarmos a ver vários rostos usando o mesmo uniforme.

Sobre a Marvel, também acredito na ideia de trabalharem em filmes paralelos ao seu cânone. Seria perfeito um filme do Demônio na Garrafa sobre uma das piores fases da vida do Homem de Ferro; um longa-metragem de baixo orçamento, com um ator que não fosse Robert Downey Jr. (Jeffrey Dean Morgan talvez?) e sem a necessidade de ser canônico. 

Para concluir, é possível dosar as coisas, sem pender muito para um lado ou para o outro. Queremos algo canônico sim, mas também desejamos obras diferenciadas, com a livre visão de artistas que almejam trazer algo de novo para os personagens que amamos. 

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André R. Candeias

Nerd. Escritor. Leitor. Tenho Stephen King como meu mentor platônico nos livros. Sou DCnauta assumido. Meu jogo predileto é Silent Hill. Meus diretores prediletos são Christopher Nolan, Peter Jackson e Zack Snyder.

Pra relaxar adoro ouvir trilhas sonoras, principalmente as de Hans Zimmer.

Além do mais sou fã assíduo de Star Wars, o universo da Terra-Média de Tolkien, Game of Thrones e por último, mas não menos importante, The Walking Dead.

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