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Remakes e sequências: um looping eterno na indústria do cinema

Write on: Quinta, 21 Julho 2016 13:52

Para quem já brincou de montanha russa, nada mais emocionante do que o momento em que o carro passa pelo circuito fechado nos deixando de cabeça pra baixo. Algumas até param nessa hora, no famoso looping. Agora tente imaginar um circuito apenas formado de loopings, um após o outro. Quanto tempo você, ou sua cabeça, ou seu estômago suportariam? Pagaria de novo por essa emoção?

A nível de comparação, isso é o que a indústria do cinema tem feito para entreter seu público. Um looping eterno na qual remakes, reboots e sequências pecam pela falta de criatividade. Para Hollywood a fama adquirida ao longo dos anos não incomoda e esta segue adiante a cada milhão que entra em seus cofres. O público porém, paga, e muito, para verem expectativa e frustração andarem lado a lado cada vez que entram numa sala de cinema. A fórmula é antiga, mas ninguém aprende.

Otimistas defendem as refilmagens com o argumento de que estas atualizam a obra ou a contextualizam, como é o caso de Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven – de 1960), versão americana de Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai – de 1954). Filme que deu certo, visto que histórias envolvendo o velho oeste, ao invés de samurais, são mais populares aqui no ocidente, principalmente naquela época. Tanto deu certo que no próximo semestre teremos a oportunidade de acompanhar Denzel Washington no papel de Sam Chisolm em mais um remake da trama.

Mas fica a pergunta: será que um filme de sucesso do passado precisa mesmo ser atualizado? Dar certo, do ponto de vista da indústria cinematográfica, significa dar lucro, que quase nunca resulta em ser bom. O sucesso de uma obra é consequência de uma equipe competente. Refazer o que deu certo com a desculpa de simples atualização geralmente distorce a boa visão da direção anterior. Deixa mais evidente que o interesse é apenas financeiro. Assim nos deparamos com roteiros sem sentido, atuações fracas e descompromisso geral.

A questão, no entanto, é que a indústria não se arrisca em algo novo. Referências e inspirações são utilizadas em diversos campos da arte e isso é bem aplicado também no cinema. Como grande exemplo temos 12 Homens e Uma Sentença (12 Angry Men – de 1957). O clássico, que contém um elenco de peso estrelado por Henry Fonda, traz o alerta de como o preconceito racial e diferenças sociais influenciam a imparcialidade de jurados em um julgamento. Anos depois vemos que estas mesmas questões continuam sendo exploradas pelos diretores e roteiristas porque ainda funcionam. Citando apenas alguns sucessos, temos Filadélfia (Philadelphia - 1994), À Espera de Um Milagre (The Green Mile – de 2000), O Júri (Runaway Jury – de 2003), entre outros. Isso prova que não há necessidade de gastar fortunas com refilmagens quando se pode explorar boas ideias e executá-las.

Quando um filme faz sucesso em determinada época muito se deve também ao contexto. Utilizar a mesma fórmula pode ser arriscado, e a memória de uma boa experiência acaba sendo corrompida. O caso mais recente é Independence Day, sucesso de 1996 e sua sequência após 20 anos, Independence Day: o Ressurgimento. O filme mantém o estilo e as influências da década que o consagrou, os anos 90. Agrada seu público fiel por mero saudosismo, mas pouco se esforça para cativar a nova geração, parecendo um mais do mesmo feito só para entreter e faturar com as possíveis sequências. Era mesmo necessário?

A sétima arte venceu os avanços da tecnologia. Muito se especulava a respeito do fim do cinema há algumas décadas. Mas este provou que tem mercado, tem seu espaço. Os dois últimos anos foram repletos de remakes e sequências. Até mesmo franquias como O Exterminador do Futuro e Transformers saturaram seus fãs. Provando assim que os espectadores anseiam por entretenimento, acompanhado, porém, de qualidade, bons roteiros e inovação. E essa fórmula vale a pena pagar. Ter uma experiência inesquecível, mesmo que seja uma única vez.

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Maha Vitz

Jornalista e Designer Editorial. Filha de um casal nerd, a cultura - que na época não era - pop, me criou.

A série Star Trek foi minha primeira experiência nerd, mas é Star Wars que me faz chorar (e o Shiryu em todas as vezes que ficou cego também).

Amo loucamente filmes, música, comida e a união de tudo isso. E nada me irrita tanto quanto ser obrigada a comprar um ingresso para uma sessão em 3D.