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O veredito das séries de Super-Heróis em 2016

Cada ano que passa mais e mais personagens da Marvel e DC vem ganhando vida nas telas. Já vimos que o formato de séries de TV é ideal para adaptar a história dessas figuras clássicas que adoramos de montão.

Um filme é perfeito para trazer à tona épicos eventos que são destinados a impactar o público com cenas de ação, destruição e pura nostalgia em 2 ou 3 horas de duração, como podemos conferir recentemente no primeiro e sombrio encontro entre Batman vs. Superman ou nos eventos do Universo Marvel Cinematográfico, a Guerra Civil. Mas uma temporada é perfeita para entrar na vida do personagem e explorar detalhes do seu dia a dia e da sua evolução como pessoa e super-herói. Uma série em quadrinhos possui edições lançadas mensalmente ou quinzenalmente, assim como uma série de TV possui episódios a cada semana, trazendo um vilão novo ou desenvolvendo cada vez mais seu arco principal. Percebem como uma temporada de um seriado se aproxima bastante do formato de uma história em quadrinhos?

A DC se aproveitou dessa ideia magnífica e expandiu ainda mais seu material no ano de 2015 com as novas séries do gênero, Supergirl e Legends of Tomorrow, enquanto a Marvel preferiu manter seu trabalho com Agents of S.H.I.E.L.D, Agent Carter e a os heróis urbanos na Netflix (Jessica Jones S01 e Demolidor S02).

Com a chegada da Supergirl, mesmo que seja de um universo paralelo ao de Arrow/Flash e a primeira série de TV com uma super-equipe, Legends of Tomorrow, pensávamos que tanto conteúdo da DC daria um banho na Marvel que manteve seus títulos sem trazer nenhuma novidade a mais.
Só que conteúdo demais não prova nada. Tudo que importa é o desenvolvimento dos personagens. É a qualidade da história! E se teve uma série que aprendeu essa lição foi Gotham. A segunda temporada tornou-se mais linear e procurou desenvolver o que seria os “vilões da semana” em pequenos arcos. Que ideia fantástica! Vimos uma origem do conceito do que seria o Coringa, a origem de uma versão alternativa do Vaga-Lume, o desenvolvimento do arco da Ordem de São Dumas, a origem do Senhor Frio, entre outras coisas bem interessantes e envolventes.

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A Ascensão de vilões... E de alguns heróis também.

Supergirl também não fez feio em sua primeira temporada. Mesmo adotando o estilo meio teen de Arrow e The Flash, essa primeira temporada não teve vergonha alguma de ser uma “história em quadrinhos”. Tivemos até mesmo a presença do Superman (mesmo que de forma indireta) e a Fortaleza da Solidão exatamente como é nas HQs, além de vilões bem interessantes. As batalhas também não fazem feio para nós os espectadores; os mais exigentes com certeza reclamarão, mas a ilustração e a força de expressão da adaptação falam mais alto. Vale destacar como ponto alto da temporada a origem do Caçador de Marte, contada de maneira profunda e cativante!

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O episódio crossover com The Flash foi um dos pontos altos da temporada de estreia da Supergirl.

Os problemas do Universo DC Televisivo inicaram com o chamado Arrowverse. The Flash começou muito bem ao apresentar um vilão megamonstruoso e assustador, o Zoom. Mas a medida que a sua origem foi contada no decorrer da segunda temporada, vimos alguns tropeços o quê, graças aos Guardiões do Universo, foi concertado no final e nos entregaram um season finale a altura da série. Mas apesar de todas as referências grandiosas dos quadrinhos como Gorila City, o Tubarão-Rei e a Terra-2, os furos ocorridos no roteiro, os clichês nos diálogos e na forma como o Flash derrotou seus inimigos, fez com que essa temporada fosse bem inferior a primeira. Muitos fãs ficaram decepcionados!

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O Homem mais rápido do mundo! #sóquenão

Mas nada foi tão broxante como Arrow. Nada! O terceiro ano da série do Arqueiro já havia deixado a desejar em vários aspectos. A quarta temporada se aprofundou ainda mais no lado místico do Universo DC e trouxe um vilão sem carisma algum: Damien Darhk, interpretado pelo ator Neal McDonough. As intenções do antagonista são completamente vazias pois, dominar o mundo já se tornou um clichê gigantesco nessas adaptações. Precisamos de vilões de peso, cujas intenções nos convençam da sua dor, do seu prazer e da sua vontade de fazer o mal. E se for para dominar o mundo, que ao menos seja algo bem desenvolvido. O roteiro dessa quarta temporada foi um fiasco, desde os flashbacks aos diálogos dos personagens. Os flashbacks foi outro fiasco a parte; ninguém mais se importa com o que aconteceu com o passado de Oliver Queen. É claro que, houve alguns momentos que soaram interessantes, como uma canção distante de um Canário Negro. A relação entre Diggle e seu irmão e o mistério do personagem que havia morrido. Não podemos nos esquecer das participações especiais do Constantine e da Vixen, que foram os momentos altos da temporada. Se Arrow repetir os erros dessa temporada na que virá, a série morrerá!

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A série que começou essa onda de super-heróis na TV. Pois é! Do triunfo ao desastre.

A aposta máxima da DC foi Legends of Tomorrow, a primeira série de TV com uma super-equipe dentro desse universo. Houve um prólogo mostrado no crossover de The Flash (S02E08) e Arrow (S04E08) para preparar os espectadores para o que estaria por vir. Canário Branco, Nuclear, Eléktron, Mulher Gavião, Gavião Negro, Capitão Frio e Onda Térmica seriam liderados por Rip Hunter numa viajem pelo tempo para deter o vilão Vandal Savage. A temporada de estreia nos proporcionou bastante ação e referencias icônicas dos quadrinhos (a participação do Jonah Hex e o episódio que nos leva a uma Star City do futuro foram ótimos). Mas infelizmente muitos diálogos foram forçados, faltou química entre os personagens e profundidade na trama que os envolviam. O vilão foi tão desinteressante como Damien Darhk, e olha que estamos falando do Savage, onde é temido nos quadrinhos. Uma das poucas coisas que acertaram para valer foi no desenvolvimento do Capitão Frio e do Onda Térmica; a dupla de atores trouxe a dinâmica maravilhosa que haviam construído em Prison Break e deram o melhor em seus personagens. O que acertaram na grandiosidade erraram nos detalhes dessa série que tinha tudo para ser a melhor coisa do gênero na TV.

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Grandiosa na estética, mas pequena nos detalhes. Poderia ser melhor.

Já a Marvel preferiu manter o que estava construindo, desenvolvendo melhor seus personagens já estabelecidos. Agents of S.H.I.E.L.D provou isso em seu terceiro ano com uma temporada bem amarrada que só cresceu até o seu emocionante season finale. Embora o programa tenha sido mais contido, preferindo não entrar muito na trama dos filmes, tudo que foi trabalhado nessa terceira temporada, da origem dos Inumanos à origem da HIDRA, o vilão Colmeia e os personagens principais, atingiu um patamar tão elevado que a ameaça apresentada foi ainda maior que os conflitos existentes no longa Capitão América: Guerra Civil.

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Que vilão mais assustador!

Agents of S.H.I.E.L.D sabe ser mais contida e abraçar elementos do universo Marvel tornando sua história rica. Agent Carter por sua vez erra feio nisso. Podendo explorar elementos incríveis do passado de seu universo, a segunda temporada resolve ser apenas mais uma. Ela pode ser boa dentro dos padrões técnicos e o elenco, mas falta grandiosidade, fazendo com que o público não se cative pelo programa. Onde está a origem da S.H.I.E.L.D por exemplo? Queríamos mais do que simples referencias das indústrias Roxxon ou a presença de Howard Stark. Uma pena ver tanto potencial desperdiçado.

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Para não dizer que a Marvel nessa temporada não investiu em nada de novidade, temos a primeira temporada de Jessica Jones pela Netflix, que continua a explorar o lado urbano de seu universo. A série não possui bons efeitos visuais, tanto que as lutas que ocorrem no decorrer do show mais parecem cenas da série de TV da Xena: A Princesa Guerreira com arremessos superfortes e saltos a distância que lembra bastante Smallville. Mas todos esses detalhes técnicos ficam para trás por conta da maestria da história e a excepcional atuação do elenco. E que vilão perfeito foi esse interpretado por David Tennant, o Kilgrave! Ao lado do Colmeia em Agents of S.H.I.E.L.D, eles lideram o ranking de melhores vilões do momento na Marvel.

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O melhor vilão da temporada entre todas as séries do gênero. É melhor tapar os ouvidos.

Para finalizar, a segunda temporada de Demolidor deixou todos de queixo caído. História perfeita e bem sincronizada com a apresentação de novos personagens como o Justiceiro e a Eléktra. A trilha sonora composta por John Paesano é outro detalhe incrível a parte; seus temas dão vida a cada cena ocorrida. E quanto as batalhas, elas estão melhores do que nunca! Realistas, cada soco, chute ou arremesso faz com que possamos sentir em nossa pele. Os diálogos também são cheios de intensidade. E a medida que a história avança sentimos que esse é o ápice de uma série de TV do gênero de super-heróis. O que virá a seguir terá que se esforçar muito para superar essa segunda temporada do Demolidor.

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E o Oscar vai para...

2015/2016 foi um ano de muitas expectativas e poucas recompensas, principalmente da parte da DC. Para a segunda metade de 2016 também não foi anunciado nada de novidade, com exceção das comédias Powerless e Control Damage, e Luke Cage na Netflix. Vamos torcer para que as séries que pecaram melhorem suas narrativas e que as outras permaneçam boas como são.

OBS.: Decidimos manter de fora as séries do selo Vertigo da DC (I, Zombie; Lucifer) e outras menos conhecida como Powers!

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André R. Candeias

Nerd. Escritor. Leitor. Tenho Stephen King como meu mentor platônico nos livros. Sou DCnauta assumido. Meu jogo predileto é Silent Hill. Meus diretores prediletos são Christopher Nolan, Peter Jackson e Zack Snyder.

Pra relaxar adoro ouvir trilhas sonoras, principalmente as de Hans Zimmer.

Além do mais sou fã assíduo de Star Wars, o universo da Terra-Média de Tolkien, Game of Thrones e por último, mas não menos importante, The Walking Dead.

Website: https://www.facebook.com/lordcandeias