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Críticas

Crítica | Gotham [1ª Temporada]

2014 foi o ano que as séries de super-heróis ou simplesmente baseadas em HQs explodiram na TV. Gotham foi uma das mais aguardadas por apresentar o DNA do universo do Batman. Digo exclusivamente do Batman, porque ela se limita apenas em mostrar o passado da cidade e dos aliados e inimigos do Homem-Morcego. Afinal, se o nome da série é Gotham, o que esperávamos ver além disso?

Muitas pessoas decepcionaram-se esperando por um Batman na série. NÃO! Gotham é sobre a cidade e sua história. E o que forma a história de uma cidade são as pessoas que ali habitavam. Mas Gotham aparenta ser um personagem a parte no programa, graças a excelente fotografia empregada; fria, em outros momentos suja e antiquada. Um suspense noir digno de atenção.

Fizeram jus ao Asilo Arkham! Ficou incrivelmente bem construído na série.

Um acerto grande foi colocar a historia sob o ponto de vista de James Gordon. Ben McKenzie pode não ser um puta ator, mas ele trouxe as expressões graves que o futuro Comissário de Polícia de Gotham City precisava, mesmo sem o seu clássico bigode. Mas a historia da série não pertence apenas ao tira. Outras figuras clássicas desse universo são interpretadas por atores EXCELENTES. Donal Logue faz um Harvey Bullock clássico, como aprendemos a conhecer, e seu senso de humor sujo é o que há de melhor no personagem. O velho mordomo Alfred Pennyworth (Sean Pertwee) ganha aqui uma versão bem próxima da que foi apresentada na Graphic Novel Batman: Terra Um, mais duro, ríspido porem com uma grande afeição pelo menino Bruce Wayne. 

Bruce Wayne, interpretado por David Mazouz manda bem na atuação também, principalmente nos primeiros episódios, onde o luto era mais nítido em sua face. O problema do personagem foi à escassez do uso de sua imagem. É interessante termos o jovem Batman na série como lembrete da grandiosidade que virá no futuro, mas mantê-lo em quase todos os capítulos do programa, desenvolvendo arcos de historias desnecessários pra ele tornou-o chato, principalmente ao lado de Selina Kyle, que não é uma personagem ruim, mas foi usada de forma apática, ainda mais no Season Finale.

Personagens como Bruce e Selina deveriam ser usados como Harvey Dent ou Lucius Fox, cujas aparições se deram em momentos chaves e formaram os elementos surpresas. 

Se algo funcionou de verdade em Gotham foi a luta de Gordon contra o sistema corrupto da cidade e as intrigas ocorridas na máfia. Falcone e Maroni, os dois Reis de Gotham começaram a serem prejudicados pela escalada rumo ao poder de Fish Mooney, brilhantemente interpretada por Jada Pinkett Smith. Fish é uma personagem criada exclusivamente para a série e sua presença deu mais que certo. Infelizmente, antes do capitulo final, ela enfrenta uma jornada violenta e sem sentido contra o Criador de Bonecas que tirou um pouco do seu brilho. Outro detalhe é o seu fraco desfecho, que poderia ter sido melhor desenvolvido.

Mas entre todos os personagens, nada se compara ao Oswald "Pinguim" Cobblepot e o incrível ator Robin Lord Taylor. Com eles estão os melhores e mais intensos momentos da série. Insano, engraçado, caricato e imprevisível, Robin faz o melhor Pinguim de todos os tempos. A narrativa criada pra ele, juntamente com seus diálogos são tão bem elaboradas que às vezes nos pegamos torcendo por ele, mesmo sendo um antagonista. Outro que surpreende é o Edward Nygma (Cory Michael Smith); a principio ele passa a imagem de um simples alivio cômico irritante e sem graça, mas com tempo desvendamos pistas sobre ele que nos levam ao seu verdadeiro eu, o Charada. E quando isso acontece, é impossível não ficar de queixo caído.

Mas nem de bons personagens Gotham é formada. Erin Richards faz uma Barbara Kean esquecível. Ainda bem que os idealizadores deram um jeito de arrumar outro par amoroso para Gordon na figura da Dr. Leslie Thompkins (Morena Baccarin) cujo carisma é infinitamente maior. 

Com certeza há mudanças de origens dos personagens, com suas trajetórias sendo totalmente diferente das HQs. Mas a essência do Universo do Cavaleiro das Trevas, até então, está sendo mantida. O problema de Gotham é o seu estilo “Monstro da Semana”, desperdiçando personagens grandiosos que poderiam ter sido desenvolvidos de maneira mais interessante. Vide o arco do Ogro em três episódios consecutivos antes do Season Finale. Milo Ventimiglia é um bom ator, mas esse serial killer, o Ogro, foi a pior coisa, ao lado de Barbara, já feita na série. Outro ponto extremamente negativo são os desnecessários e cansativos 22 episódios. Se tivesse sido feita em treze capítulos de uma hora cada, numa trama mais objetiva, com certeza Gotham seria digna de premiações. É possível notar o desgaste de seu excessivo tempo através da falta de criatividade em algumas partes do roteiro, com furos e clichês bem incômodos.

O que nos resta é torcer para que esses erros possam ser reparados em seu segundo ano, pois todos esperam ver essas figuras, que ajudaram o Batman a se tornar uma lenda, bem adaptados na TV, mesmo que não seja do mesmo Universo DC Televisivo formado por Arrow e The Flash.

3/5

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André R. Candeias

Nerd. Escritor. Leitor. Tenho Stephen King como meu mentor platônico nos livros. Sou DCnauta assumido. Meu jogo predileto é Silent Hill. Meus diretores prediletos são Christopher Nolan, Peter Jackson e Zack Snyder.

Pra relaxar adoro ouvir trilhas sonoras, principalmente as de Hans Zimmer.

Além do mais sou fã assíduo de Star Wars, o universo da Terra-Média de Tolkien, Game of Thrones e por último, mas não menos importante, The Walking Dead.

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