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Críticas

Crítica | Arrow [3ª Temporada]

A presença do Flash ao lado do nosso herói enriqueceu grandemente a trama. um dos poucos momentos válidos da temporada

A série chefe do Universo DC na TV, Arrow, trouxe muitas novidades nesse novo ano, mas nem todas agradaram.

Com um excelente começo de temporada, a série deixou de vez seu mais puro realismo que seguia a tendência que Christopher Nolan estabeleceu na trilogia Batman: O Cavaleiro das Trevas, e abraçou outros lados do universo DC como a ficção cientifica através de tecnologias super avançadas e humanos geneticamente modificados. O místico e o fantástico também aparece, porem muito tarde, o que não deixa de surpreender. 

Até o episódio 09, vimos uma Starling City mais recheada de vigilantes e vilões bem conhecidos das HQs. Destaque para o visual do Arsenal, apesar da química entre com seu mentor quase inexistir. A presença do Flash também enriqueceu muito a narrativa, estabelecendo um universo maior e trazendo os meta-humanos para mais perto da vida do Arqueiro e seus amigos. A construção da Laurel como a nova Canário Negro, algo que os fãs temiam muito, deu mais que certo; seu treinamento com o Pantera/Ted Grant e a inserção do seu famoso Grito da Canário são elementos diretos das HQs. Até mesmo a nova sidekick da família Arrow, Speedy, teve sua origem bem realizada próximo dos capítulos finais.

Esta é uma cidade de heróis. Algo lindo de se ver.

Se faltou trabalharem bem a relação entre Oliver e Roy, não faltou diálogos profundos e momentos emocionantes entre o protagonista e John Diggle; este se mostrou mais próximo que o seu próprio ajudante das HQs. Ainda bem que deram uma despedida agradável para o Arsenal.  E sobre o novo integrante da família Arrow, Ray Palmer, o roteiro deixou-o um tanto pastelão, deslocado. Sua construção como herói deixou a desejar, sem motivações fortes que fizessem o publico se apegar a ele. Mas, assim como Speedy, ele teve seus bons momentos com o passar do tempo através de sua armadura, ATOM. É bem provável que o herói seja mais desenvolvido na próxima temporada.

O herói foi mal escrito para a trama. Mas ainda tem potencial.

Trazer Ra’s Al Ghul como o principal vilão da temporada pode não ter sido uma boa escolha. Nas HQs existe sim ligações entre personagens do universo do Arqueiro Verde com Ra’s e a Liga dos Assassinos, nada impedindo que em algum momento eles pudessem entrar no caminho de Oliver Queen. Mas a forma como utilizaram o Arqueiro foi forçada, tornando-o quase um Batman na história. Toda essa história dele ter que substituir o lugar de Ra’s Al Ghul como o novo Cabeça do Demônio foi um pé no saco. Mas, como eu havia dito anteriormente, próximo do fim acaba que se tornando algo interessante de se acompanhar. Matt Nable mandou bem na atuação, cujas expressões convencem o determinismo de seu personagem. Se podemos tirar algo de bom de termos o Ra’s e a Liga inseridos em Arrow é a apresentação do lado místico do Universo DC na TV através do Poço de Lázaro, que ficou extremamente fiel ao que conhecemos nos quadrinhos. Pra ficar ainda melhor faltou a Talia. Será que nessa versão Nyssa é sua única filha? 

Ra’s Al Ghul refletindo na sua fortaleza em Nanda Parbat. Atrás dele entre as velas, o famoso Poço de Lázaro.

Malcom Merlyn ora mostrou-se um homem desesperado fazendo merda para tentar sobreviver, ora como alguém em busca da redenção. Mas no fim das contas não passou de ser o grande vilão dessa temporada. E ele conseguiu seus objetivos. Sua nova posição deve ser explorada na próxima.

Vale destacar o episódio 07, Draw Back Your Bow, que teve como vilã da semana a personagem Cupido/Carrie Cutter, uma arqueira que acredita que o vigilante de Starling City é o único amor de sua vida. Normalmente Vilões ou Monstros da Semana é algo incomodo e que desvia a trama da sua linha narrativa principal, mas com ela deu muito certo. Até mesmo a vinheta do programa foi modificada ganhando um formato de coração. O crossover com The Flash, no episódio 08, trouxe bons momentos para o Arqueiro ao lado do Velocista Escarlate para capturar o Capitão Bumerangue.

 

Em The Climb [E09] tivemos um grande capitulo, mas que foi totalmente destruído pelas falhas do roteiro que se seguiram na segunda parte da temporada. Erradíssimo matar o personagem principal num episodio e traze-lo logo no outro. Entregaram logo de cara o elemento surpresa que poderia ter sido grandiosamente trabalhado. The Return [E14] criou grande expectativa pelo retorno do principal antagonista do segundo ano, o Exterminador. Mas sua participação foi ridícula. Totalmente esquecível! Ao menos Suicidal Tendencies [E17] não ridicularizou um grande personagem como o Pistoleiro. Ao invés disso, exaltaram sua imagem contando sua origem através de ótimos flashbacks e nos entregaram uma trama repleta de ação e um desfecho bem enigmático para o personagem.

O Pistoleiro e a Cupido numa missão suicida pra ARGUS em um dos melhores episódios da temporada.

O romance entre Oliver, Felicity e Ray foi um dos pontos baixos da temporada, com muito clichê, diálogos desnecessários e cenas estupidas mesmo. Os flashbacks foram horríveis, marcando os momentos mais chatos da narrativa; Tatsu e Mseo são bons personagens, mas o arco de historia que se passava em Lian Yu era melhor. As batalhas são boas, apesar de algumas vezes parecerem falsas sem gerar aquele suspense que prende o espectador na tela. Ao menos a série se reencontra na reta final, o suficiente para não deixa-la cair no esquecimento. Isso e os crossovers com The Flash, cuja primeira temporada conseguiu ser superior a esta terceira de Arrow. E o Season Finale foi agradável, mas nunca melhor que os episódios finais das temporadas anteriores; os confrontos contra o Arqueiro Negro e o Exterminador foram bem mais intensos.

Esperamos que a próxima temporada não siga os mesmos passos desta e que essa nova fase que estão prometendo para o Arqueiro possa nos surpreender.

3/5

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André R. Candeias

Nerd. Escritor. Leitor. Tenho Stephen King como meu mentor platônico nos livros. Sou DCnauta assumido. Meu jogo predileto é Silent Hill. Meus diretores prediletos são Christopher Nolan, Peter Jackson e Zack Snyder.

Pra relaxar adoro ouvir trilhas sonoras, principalmente as de Hans Zimmer.

Além do mais sou fã assíduo de Star Wars, o universo da Terra-Média de Tolkien, Game of Thrones e por último, mas não menos importante, The Walking Dead.

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