1fdfe2d553e04fc18698ac515385cb64.jpg
Críticas

Crítica | Agents of SHIELD [2ª Temporada]

Vários episódios ganharam pôsteres lindos inspirados nas HQs para promover o programa. Tomara que mantenham a campanha.

Na temporada passada era difícil imaginar que Agents of SHIELD seria uma série tão boa de se acompanhar e importantíssima para o Universo Cinematográfico da Marvel. Os episódios eram amarrados aos eventos do filme criando um vicio narrativo que atrapalhava o desenvolvimento da historia. Mas a chegada de Capitão América: O Soldado Invernal em 2014 desestruturou todo o Universo Marvel Live-Action, forçando o simbionte que era Agents of SHIELD a mudar seu status quo. A partir do episodio 17 fomos inseridos numa trama completamente diferente, totalmente linear e frenética.

O segundo ano começou à sombra da queda da SHIELD, agora fragmentada e sem rumo devido aos ataques da HIDRA que vieram das próprias entranhas da organização sob a forma de membros traidores. Coulson e seu time, além de terem que enfrentar as forças do maligno Daniel Whitehall, precisam fugir da caçada que o governo está realizando aos agentes. Como se não bastasse todos esses problemas, ainda há o mistério das escritas alienígenas que envolvem as respostas para a “ressurreição” de Coulson e a introdução de um elemento que deu autonomia ao programa: os Inumanos.

Apesar do bom começo, houve alguns capítulos meio desconexos com a trama principal. Um dos pontos fracos foi a participação do vilão Homem-Absorvente/Carl Creel; ele é só músculos, trazendo apenas desafios físicos a nossos heróis. O fato é que o Homem-Absorvente dos quadrinhos é bem mais poderoso que este da série, onde já travou batalhas intensas contra o Thor e o Hulk. Seria mais interessante se tivessem criado uma figura original. Outro antagonista que encheu um pouco a paciência nessa temporada foi o General Talbot, servindo mais como alivio comico do que um militar obsessivo e disposto a mandar fogo sem cessar como o General Ross (lembram de O Incrível Hulk?).

Mas não se engane acreditando que a trama foi regada de vilões Classe B apenas. O Doutor Daniel Whitehall da TV pode ser menos monstruoso na aparência do que o das HQs, mas suas ações são insanas. Outra ótima adição no elenco é o surtado Calvin Zabo, o pai de Skye. O ator Kyle MacLachlan fez uma interpretação incrível como Cal, ora nos cativando ou nos metendo medo com suas explosões de humor repentinas. A trajetória de Grant Ward ao lado da Agente 33, capaz de mudar de rosto por causa de uma tecnologia que ela utiliza em sua fase, foi um dos pontos intrigantes desse segundo ano. Historias paralela a trama principal conduzida por outro personagem, principalmente se ele for um segundo antagonista, sempre nos surpreende no final. Questões como “Será que ele está em busca de redenção ou é só mais um plano maligno?” permearam nosso imaginário sobre Ward. Sempre quando ele aparecia, conseguia roubar nossa atenção. 

Falando ainda de adições importantes na temporada, Bobbie, Mack e Hunter preencheram bem o espaço deixado por Ward. O que não soou bem foi o romance entre a Harpia e seu ex-marido, sendo um saco as vezes acompanhar todos aqueles diálogos sobre o passado deles. A grande verdade é que Agents of SHIELD parece não ter tanto espaço assim para os romances, e quando eles acontecem ficam bem artificiais. Com exceção de Fitz-Simmons; como eles mudaram nessa temporada! O drama psicológico que os envolvem tornaram eles bem mais interessantes que na temporada anterior. É impossível não torcer para que não fiquem juntos e superem todo esse transtorno no fim. Melinda May, a Cavalaria, teve bons momentos, assim como Coulson, mas ainda o insuficiente para prender nossa atenção.

Lady Sif fez uma mediana participação especial na temporada.

A segunda parte da temporada foi regada de Inumanos e conflitos intensos. Os Inumanos foram apresentados bem mais cedo do que esperávamos, já que o filme deles está agendado para 2019. Isso marca a independência da série com os filmes. Na verdade, com Agents of SHIELD trabalhando temas nunca explorados no cinema faz com que os longas-metragens bebam da série de TV. Com bastante efeitos visuais e um roteiro caprichado, a nova raça foi bem introduzida e sua origem detalhadamente explicada para os novatos. Skye ganhou personalidade e alma... Bem melhor do que a hacker desorientada da equipe de Coulson. Mais do que isso ela ganhou novos nomes como Daisy Johnson ou Tremor. Pra quem não conhece, essa personagem nas HQs é uma mutante; como a Marvel Studios não tem autoridade para usa-los em seu universo nas telinhas, nada mais conveniente do que adapta-la em uma nova origem. Impossível não comparar as questões que permeiam a comunidade oculta dos Inumanos como medo das próprias habilidades, sensação de superioridade, xenofobia, enfim, com os mesmos conflitos que os X-Men enfrentam todos os dias. A Marvel enfim encontrou uma maneira de preencher o espaço que faltava em sua mega trama.

Gordon é um dos Inumanos mais irado da temporada.

Como se não bastasse a introdução desses super-seres, a série brincou de Guerra Civil, introduzindo primeiro o conflito num arco que eu prefiro apelidar de SHIELD vs. SHIELD; de um lado Coulson e seus estranhos aliados (incluindo o ciborgue Deathlock. Perfeita a volta desse cara!), do outro Robert Gonzales e sua verdadeira SHIELD. O arco é bom, mas o que veio depois foi ainda melhor, culminando no clímax da temporada e no épico season finale formado por dois episódios seguidos [as duas partes de S.O.S E21-22]. A ligação com o filme Os Vingadores: Era de Ultron foi sutil. A série preferiu seguir o próprio caminho, já mencionando temas como Registro de Super-Humanos e revelando os Inumanos ao mundo. Houve percas no ultimo capitulo... Acontecimentos inesperados que só atiçam nossa curiosidade para o próximo ano.

Essa é Raina. Lembram dela da primeira temporada? A verdade é que ela ficou bem mais interessante como Inumana.

Agents of SHIELD aprendeu a andar com as próprias pernas, assumindo uma posição digna entre as series baseadas em HQs. E que continue assim...

4/5

DEIXE SEU COMENTÁRIO

André R. Candeias

Nerd. Escritor. Leitor. Tenho Stephen King como meu mentor platônico nos livros. Sou DCnauta assumido. Meu jogo predileto é Silent Hill. Meus diretores prediletos são Christopher Nolan, Peter Jackson e Zack Snyder.

Pra relaxar adoro ouvir trilhas sonoras, principalmente as de Hans Zimmer.

Além do mais sou fã assíduo de Star Wars, o universo da Terra-Média de Tolkien, Game of Thrones e por último, mas não menos importante, The Walking Dead.

Website: https://www.facebook.com/lordcandeias