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Críticas

Crítica | The Flash [1ª Temporada]

Quando Arrow começou na TV, sua proposta não passava de apresentar um universo realista, sem ficção ou fantasia escrita em suas entrelinhas. Uma boa temporada, com referências bem sutis a outros personagens da DC que não passavam de homenagens a esse grandioso universo. Mas o andamento do segundo ano do programa aumentou as possibilidades de algo mais fictício, inserindo elementos como super-força e sentidos aprimorados através do soro Mirakuru. Através dele Slade Wilson sobreviveu e veio a se tornar o vingativo e implacável Exterminador. Foi também no segundo ano do Arqueiro, mais especificamente nos episódios oito e nove, que conhecemos Barry Allen numa visita a Starling City para ajudar Oliver e amigos a investigarem um caso. E no final do capítulo intitulado Three Ghost o acidente com o acelerador de partículas no STAR Lab ocorre e Barry é atingido pelo raio que lhe daria as habilidades que o tornaria O Flash.

A interação com sua série irmã, Arrow, não paravam por aí. O espectador é obrigado a assistir o programa do Arqueiro para entender The Flash? Não. Mas se feito da forma correta, teríamos um entendimento mais amplo desse vasto universo que estão construindo na TV. 

Com promissores efeitos visuais o Flash já no primeiro capítulo vestiu o uniforme e saiu à caça de meta-humanos para salvar sua cidade. Obviamente, o acidente com o acelerador de partículas foi o motivo para o surgimento dos Vilões da Semana que atormentaram a vida do nosso herói. Personagens icônicos das HQs como o Mago do Tempo, Multiplex, o Névoa, entre outros sinistros meta-humanos. Apesar de parecer um clichê esse lance de desafio semanal, é uma característica própria das HQs, apesar das origens serem mais aleatórias. De qualquer forma, usar o acelerador de partículas como desculpa não incomoda. 

Entre todos os vilões que se apresentaram sem sombra de dúvidas o Gorila Grodd foi o que mais surpreendeu os fãs. Para uma série de TV, cujo orçamento é infinitamente menor que um filme, ele foi muito bem construído visualmente e promete voltar ainda mais imbatível no próximo ano.

Não se engane que as habilidades de todos os antagonistas são derivadas do acidente. Vale destacar o Capitão Frio e o Onda Térmica, fundadores da galeria de Vilões do Flash. Suas armas são invenções do Cisco e ficaram bem elaboradas. Exceção disso foi a presença da irmã de Leonard Snart, a Patinadora Dourada. Sua arma, que transforma em ouro tudo que atinge, é ridícula e bem cartunesca. 

A dupla de super-vilões, Capitão Frio e Onda Térmica

Apesar do elemento “Vilão da Semana”, a trama possui uma linha narrativa principal que envolve o misterioso Homem no Traje Amarelo, um velocista do mal apelidado de Flash Reverso. No decorrer da temporada o espectador descobre mais e mais sobre sua misteriosa identidade de forma bem envolvente; e foi isso que nos segurou semana após semana na frente da tela. Talvez, um dos pontos fracos da temporada, foi o fato de Barry não ter batido de frente com ele como todos esperavam. Mas temos que compreender que esse vilão é um homem fora do seu tempo, com objetivos bem traçados e habilidades ainda mais aprimoradas que o próprio Flash. Foi o vilão perfeito não só da temporada, como também do Universo DC Televisivo.

Arte promocional apresenta o Flash Reverso

The Flash não abriu caminhos para monstros para esse universo apenas. A origem do Nuclear foi apresentada de forma linda, desde seu conflito em serem dois homens em um corpo só (Ronnie Raymond e Martin Stein) como o romance de Ronnie com Caitlin Snow, que foi bem superior ao triangulo amoroso ocorrido entre Barry, Iris West e Eddie Thawne. A personagem de Iris foi muito mal escrita para uma jornalista. Deveria ter aproveitado ela de forma mais inteligente no programa.

O Nuclear

Os companheiros de Flash, Cisco, Caitlin e o Doutor Harrison Wells começaram sem graça, mas cresceram consideravelmente dentro do programa. Cisco em particular, não serviu apenas como um alívio cômico, mas batizou a maioria dos vilões com nomes tirados das HQs e fez inúmeras referencias ao mundo nerd em geral. Além disso, há um futuro para o garoto nesse universo, assim como para Caitlin.

Um dos pontos altos da série foi o drama familiar cheio de diálogos fortíssimos sobre família, paternidade, perca, aceitação do destino. A relação entre Barry e Joe é linda; o ator Jesse L. Martin destaca-se por fazer o espectador se emocionar aqui fora através de suas expressões. Cenas lindas também ocorreram entre o nosso protagonista e seu verdadeiro pai (John Wesley Shipp, o Flash da série de TV dos anos 90), que se encontra preso acusado injustamente de assassinar Nora Allen. Grant Gustin, o ator que faz o Barry, também atua bem, deixando o protagonista de Arrow, Stephen Amell, para trás.

A trilha sonora composta por Blake Neely reforça esse drama conduzindo muitos espectadores a lagrimas. Temas como o do Flash, do Flash Reverso e até mesmo o do Nuclear permanecerão no imaginário dos fãs há muito tempo. O mesmo deve-se dizer da composição especial para o crossover Flash vs. Arrow, que por sinal foi um dos capítulos mais incríveis da temporada.

Os crossovers entre Arrow e The Flash foram um dos pontos altos da temporada. Trouxe uma dinâmica diferente e divertida a ser explorada

The Flash abre inúmeros caminhos para o Universo DC na TV não só pelo fato de introduzir os meta-humanos nesse universo, mas por fazer referencias grandiosas a personagens amados pelo mundo todo e gerar a oportunidade de explorar temas como viagem no tempo e explorar Terras Paralelas. É uma série grandiosa sim... Grandiosa, emocionante e sem medo de ser quadrinhos.

4.5/5

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André R. Candeias

Nerd. Escritor. Leitor. Tenho Stephen King como meu mentor platônico nos livros. Sou DCnauta assumido. Meu jogo predileto é Silent Hill. Meus diretores prediletos são Christopher Nolan, Peter Jackson e Zack Snyder.

Pra relaxar adoro ouvir trilhas sonoras, principalmente as de Hans Zimmer.

Além do mais sou fã assíduo de Star Wars, o universo da Terra-Média de Tolkien, Game of Thrones e por último, mas não menos importante, The Walking Dead.

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